O agronegócio movimenta toneladas e mais toneladas pelo Brasil, e garantir que produtos como café, soja, milho e insumos agrícolas cheguem ao destino sem problemas é um desafio gigantesco. As estradas mal conservadas, grandes distâncias e o aumento da criminalidade são obstáculos rotineiros neste segmento.

A Raster conversou com Alexandre Ferraretto, especialista em gerenciamento de riscos no seguro de transporte de cargas da Porto Seguro, para entender os desafios enfrentados por seus clientes no transporte de mercadorias agrícolas e as soluções adotadas para mitigar esses problemas.
Desafios no agro
Segundo Ferraretto, o agro é um dos segmentos que mais demandam atenção dentro do seguro de transporte de cargas, principalmente em épocas de alta safra, como a colheita de café, soja e milho.
“Estamos passando por um momento crítico em relação a esse tipo de mercadoria, com um aumento de sinistralidade na nossa carteira. Isso não afeta só a Porto Seguro, mas o mercado como um todo”, comenta o especialista.
Produtos que estão sempre na mira dos criminosos
Entre as mercadorias mais visadas para roubos estão o café beneficiado e a soja. O café, por exemplo, após passar por processos de beneficiamento para remoção de impurezas, torna-se um produto de alto valor comercial e fácil de ser pulverizado, características que o tornam extremamente atraente para o crime organizado. Além disso, o transporte de grandes volumes durante a alta safra, que ocorre de maio a setembro, intensifica ainda mais os riscos.
A soja, por sua vez, é uma das commodities agrícolas mais importantes do país, usada tanto na alimentação animal quanto na produção de biodiesel. Porém, seu alto valor agregado e a grande quantidade movimentada no transporte a tornam um alvo constante de roubos e acidentes, sobretudo porque é frequentemente transportada em veículos sem rastreamento ou monitoramento, o que agrava a vulnerabilidade.
Ferraretto ainda destaca o milho e os fertilizantes como produtos com risco elevado de roubo. O milho é amplamente utilizado em várias indústrias, e a demanda por grãos faz com que ele seja constantemente transportado por longas distâncias, expondo-o a riscos de roubo. Já os fertilizantes, essenciais para a agricultura, são alvo do crime organizado devido ao seu alto valor.
Ações eficazes para mitigação de riscos
Para enfrentar esses desafios, a Porto Seguro tem implementado uma série de ações que vão além das medidas convencionais de segurança, como escolta armada e tecnologias embarcadas. Um exemplo bem-sucedido foi o trabalho realizado com a Coocatrans, cooperativa de transportes, em parceria com a Raster.
A iniciativa incluiu a implementação de um cadastro de pesquisa efetivo para motoristas e a ativação da tecnologia Photocheck para verificar a identidade dos motoristas antes de cada viagem.
“O cadastro de pesquisa é fundamental para garantir que estamos trabalhando com profissionais qualificados e que conhecem os riscos envolvidos na operação”, destaca Ferraretto.
A parceria entre Porto Seguro e Raster também resultou na capacitação técnica da equipe de gerenciamento de riscos, além da elaboração de protocolos de segurança adaptados às necessidades específicas de cada mercadoria.
A ativação comportamental no cadastro dos motoristas foi uma das grandes inovações. Junto com a Raster, foi possível implementar a Photocheck em mais de 80 agências da Coocatrans espalhadas pelo Brasil, garantindo que motoristas fossem devidamente avaliados antes de entrar em operação.
“A pesquisa e o cadastro de motoristas ajudaram a reduzir não só o risco de roubo, mas também o de acidentes”, explica Ferraretto.
Resultados alcançados e ganhos operacionais
A implementação dessas soluções trouxe resultados significativos para a Coocatrans. Segundo Ferraretto, houve uma redução na sinistralidade e um aumento na confiabilidade dos serviços prestados.
“A ativação do app Mob da Raster, com macros informativas para os motoristas, ajudou a prevenir acidentes e contribuiu para melhorar a segurança no transporte”, destaca.
Outro ponto importante foi a criação de vídeos instrutivos enviados via WhatsApp para os motoristas, voltados para a prevenção de acidentes e controle de velocidade. Esses vídeos serviram como uma ferramenta eficaz para reforçar o comportamento seguro nas estradas.
Com essas ações, a Coocatrans conseguiu reduzir significativamente as perdas operacionais, mantendo a rentabilidade das suas operações logísticas.
Para Ferraretto, o sucesso dessas iniciativas está no trabalho conjunto entre todos os players envolvidos – seguradora, corretor, gerenciadora de riscos e empresas de tecnologia. “O trabalho a quatro mãos é o grande segredo para manter as operações seguras e rentáveis”, ressalta.
Desafios do transporte no agronegócio
Um dos grandes desafios apontados por Ferraretto é a falta de capacitação técnica dos motoristas autônomos, responsáveis por grande parte do transporte de cargas no agronegócio. A mudança cultural e comportamental desses profissionais é fundamental para melhorar a segurança nas operações, mas exige tempo e dedicação.
Além disso, a agilidade nas operações logísticas do agro – que precisam ocorrer em prazos curtos e com alta demanda – impõe uma pressão adicional sobre o gerenciamento de riscos.
Tendências em segurança de cargas
O uso de tecnologias avançadas, como o reconhecimento facial no cadastro de motoristas, tem sido uma tendência crescente para otimizar as operações e reduzir os riscos. “O feedback das transportadoras que adotaram essas tecnologias é extremamente positivo. Conseguimos melhorar a segurança e reduzir custos operacionais, o que impacta diretamente na rentabilidade”, explica Ferraretto.
Conclusão
No transporte de cargas agrícolas, não basta só colocar rastreador e torcer para dar tudo certo. Para proteger as mercadorias e realmente reduzir sinistros, é preciso ir além. Soluções como cadastro detalhado de motoristas, uso de tecnologias embarcadas e treinamentos que mudam o comportamento das equipes fazem toda a diferença.